MANUAL DE "BOA CONDUTA" PARA COM O INSTRUMENTO

Una as diferentes partes do instrumento, segurando firmemente pelo “Body Tenon” do tubo, e nunca pelas chaves que integram o mecanismo da flauta. ( ima.1 )
O “Body Tenon" ou junta de união da cabeça, é a extremidade, onde está registada  a marca do instrumento.

Nunca segure a cabeça da flauta, agarrando pela embocadura. ( ima. 1 )
A embocadura da flauta é um elemento muito importante na emissão e qualidade do som.
Ao longo da nossa vivência técnica, já tivemos que soldar várias embocaduras que se deslocaram do tubo.
Este processo além de moroso - porque não basta soldar, mas também, manter o equilíbrio da afinação,entre outras variáveis -, é dispendioso. Evite também o contacto de anéis, com a embocadura. Os anéis provocam fissuras e riscos na embocadura, o que poderá alterar o conceito sonoro que lhe está subjacente.

Ao unir a  pata de Dó ou Si, segure-a pela extremidade, posicionando o alinhamento do poste do Ré# com o centro da chave do e, deixe deslizar, empurrando delicadamente. ( ima. 2 )

Nunca una a pata ao tubo, forçando e enroscando, porque danifica o ponto de junção e, dificulta progressivamente a união dessas partes.

Ao longo da nossa experiência, verificamos que “negar” esta realidade, tem resultado em instrumentos muito danificados ( por vezes em muito pouco tempo), com chaves, veios e juntas partidos(as) e empenados(as).

Numa situação anormal que aconteça, consulte um técnico qualificado, e não tente fazer por si mesmo(a). Uma das situações mais comuns que aparecem para resolvermos,são juntas ( cabeça e pata) empenadas e, na impossibilidade de não conseguirem desunir essas partes, solicitam apoio a familiares e amigos, o que agrava ainda mais a situação, forçando e empenando todo o mecanismo.

Nunca utilize qualquer tipo de lubrificante ( óleos ou outros produtos com substâncias gordurosas), para facilitar a união das partes.
Em caso de dificuldade, e na maioria dos casos, o problema é gerado por riscos, fendas, vincos ou empenos nas juntas.
Esses produtos atraem e fixam pó e outros resíduos indesejáveis, que só contribuem para agravar mais o problema.

Para eliminar a humidade das “sapatilhas”, use um papel de espessura fina, textura suave e, de composição neutra.
As tão utilizadas “mortalhas” não são recomendáveis.
Apesar de existirem acessórios para o efeito, fabricados por diferentes marcas de instrumentos, sugerimos também, tipos de papel utilizados na limpeza de lentes de máquinas fotográficas.
Sempre que tentar desumidificar as “sapatilhas”,  faça-o sem forçar as chaves em demasia.

Após a utilização do instrumento, limpe-o sempre e bem,  no seu interior e exterior, incluindo a parte interna dos pontos de junção (cabeça e pata) do tubo e, coloque-o no estojo.
Ao limpar o exterior, tome cuidado, para não roçar na extremidade das sapatilhas.

A utilização constante de acessórios de limpeza que integram componentes químicos e abrasivos, tais como “flanelas limpa-pratas”, não são recomendáveis, principalmente em instrumentos não concebidos em ligas sólidas de metais nobres, tais como instrumentos banhados a níquel, prata, ouro, etc. 
Quem utiliza estes acessórios de limpeza regularmente, verifica que a flanela fica negra após cada limpeza, o que corresponde a um parcial desgaste do metal, ou do banho que envolve a liga utilizada no fabrico do instrumento.

Nunca sujeite o instrumento a condições de temperatura e humidade extremas, mesmo quando dentro do estojo. Mantenha-o sempre em condições de temperatura e humidade adequadas.

Lubrifique o mecanismo em cada 3 meses, com um óleo fino e de boa qualidade, adequado para flautas. Ao longo da nossa experiência já testamos muitos, mas os que comercializamos, são os mesmos que adoptamos e utilizamos na assistência técnica que prestamos. Na eventualidade de não possuir micro-doseador, poderá utilizar um alfinete, agulha, ou algo similar. Coloque uma gota em cada ponto de união e fricção do mecanismo, sempre com o instrumento numa posição inclinada no sentido interior.
Posteriormente, mova o mecanismo durante 1 a 3 minutos ( como se estivesse a interpretar), sempre com o mesmo inclinado para si, para que o óleo acesse os veios internos e, lubrifique as diferentes partes interiores do mecanismo.
Após este período, limpe os restos de óleo ( nos pontos onde colocou) com uma “cotonete” ou algo similar, para que os excessos não derramem para as sapatilhas, ou outras partes importantes do mecanismo, onde existem elementos que são colados. Já nos apareceram flautas com os mecanimos completamente imóveis, que tinham sido lubrificadas com óleos de máquina de costura e até óleos vegetais para cozinhar.
Enfim, a “imaginação” não tem limites e como dizia o poeta : “ é pior a emenda que a sonata...ou seja, sonêto “- passe a ironia.

A flauta transversal é um instrumento mecânico e, nesse sentido,  necessita de manutenção regular mais profunda, no mínimo uma vez por ano. Para isso recorra a um técnico especializado.

Nas imagens 3, 4 e 5, poderemos verificar um exemplo das várias consequências que poderão resultar, de alguma desplicência ao manusear o instrumento . As imagens 4 e 5, correspondem à chave já restaurada. Neste caso a situação aconteceu de forma acidental, mas muitas outras há, em que resultados como este, são  consequência do não cumprimento de algumas normas anteriormente referidas.
As fotos correspondem à chave de Sol # de uma flauta Powell Signature.
Um novo complemento foi desenhado e concebido em prata sólida, com maior espessura e resistência.

Atenciosamente
Atelier Artisdivine







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